Edifícios mais altos do mundo

Historicamente, o processo de verticalização teve sua gênese nos Estados Unidos e sua origem esteve ligada às condições particulares de formação das cidades americanas e do próprio estagio de desenvolvimento capitalista, cujos fatores, estão ligados a grande concentração urbana, ao incremento da divisão do trabalho, ao preço da terra elevado, as áreas funcionalmente especializadas e ao liberalismo da legislação (SOMEKH, 1987).
A verticalização, concebida como um processo de produção do espaço, e caracterizada por um estágio avançado de exploração capitalista do solo urbano (SOUZA, 1989), vem se expandido pelos continentes, especialmente o americano, atingindo diferentes estágios de desenvolvimento. No continente europeu, tradicionalmente, a expansão da verticalização é mais contida, entretanto, em países como o Brasil, verifica-se uma explosão desse processo, chegando a atingir não somente as cidades grandes, mas também, muitas cidades médias.
Estes processos de elevação dos gabaritos, remete primeiramente, à obtenção de mais valia pelos proprietários, mas existem outros argumentos morfológicos apontados por historiadores, como por exemplo, a presença de um prédio mais alto, acaba provocando a subida daqueles de seu entorno. O desenvolvimento tecnológico possibilitando novos materiais construtivos como o aço e o concreto, o uso da energia elétrica e dos elevadores são outros fatores de verticalização, entretanto o “desenvolvimento da tecnologia esta subordinado ao desenvolvimento do capital” (SOMEKH, 1987, p.67)
As altas densidades populacionais e a concentração dos equipamentos urbanos contribuem sobremaneira para que haja subida dos gabaritos, sempre a partir de áreas mais valorizadas.
As estratégias das construtoras e incorporadoras, é de trabalhar perante os políticos, para modificar a legislação que limita os índices de aproveitamento dos terrenos dependendo da zona de localização do imóvel. Fica evidente que o interesse das construtoras e incorporadoras na liberação dos gabaritos está atrelado ao fato de que, quanto maior número de pavimentos construídos, maiores os lucros, ficando demonstrado o nível de especulação do capital imobiliário na cidade.
O resultado é o surgimento de áreas extremamente verticalizadas, com altos níveis de segregação sócio-espacial, cada vez mais elitizadas e selecionadas por estarem localizadas nas proximidades dos equipamentos urbanos e com amenidades físicas proporcionadas, reservadas a uma parcela reduzida e solvável da população, que se enclausura em torres de alto padrão de construção.
As campanhas publicitárias de lançamentos e vendas de apartamentos destinados, sobretudo às classes alta e média-alta, indicam que o mercado imobiliário tem maior interesse em investir mais neste segmento, como estratégia de comercialização de imóveis. Apesar da verticalização encontrar amplo expansão no setor habitacional, no mundo esteve sempre mais vinculada aos serviços do que a habitação (Souza, 1994, p.134,135).
Esta tendência de “encasulamento”, terminologia adotada pelos próprios incorporadores imobiliários, se apóia em três fatores: promover praticidade, qualidade de vida e segurança. Essas inovações, misto de sofisticação e modernização desses imóveis reproduz uma tendência nas grandes cidades.
Os altos níveis de densidade populacional, a exigüidade de espaço intra-urbano, assim como, a acentuada especulação imobiliária que é praticada, principalmente pelas construtoras e incorporadoras, que tentam sempre manter a mais valia, podem explicar, em parte, a subida dos gabaritos dos prédios e conseqüente verticalização do espaço urbano. O processo de transformação na área urbana parece também, estar intimamente relacionado à adequação a um novo uso social, enquanto cidade e área metropolitana, tendo em vista a necessidade cada vez maior de estar capacitada como uma cidade global.
Assim podemos concluir que as marcas da verticalização, produzem uma segregação sócio-espacial constatada através dos aspectos físico-estéticos dos edifícios, com altos e sofisticados padrões de construção que revelam grande preocupação com conforto e funcionalidade no que se refere à grande dimensão e distribuição interna da planta dos apartamentos, equiparação da área condominial, com área de lazer completa, revestimento externo, grandes sacadas, assim como, os altos preços desses imóveis.
Francisco Domingos
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SOUZA, M. A. A. de. A identidade da metrópole: a verticalização em São Paulo. São Paulo, 1989. Tese de Livre-Docência, FFLCH/ USP, São Paulo.

